Segunda-feira, 19 de outubro de 2026 · São Paulo

Doenças do sangue: Dr. Kalil e hematologistas detalham sinais precoces

Especialistas explicam no programa CNN Sinais Vitais como o hemograma e exames complementares ajudam a identificar leucemias, linfomas e mieloma.

Em resumo

  • Médicos detalham sinais precoces de doenças do sangue no programa CNN Sinais Vitais deste sábado (16).
  • O hemograma simples é apontado como o ponto de partida essencial para identificar suspeitas de leucemias.
  • O mielograma e análises moleculares permitem identificar alterações no DNA e impulsionam o uso de drogas-alvo.

Um dos maiores desafios no combate ao câncer é o diagnóstico precoce da doença. No caso das doenças malignas do sangue, como leucemias, linfomas e mieloma, identificar os sinais de alerta e realizar os exames adequados é fundamental para o início do tratamento.

O coordenador médico do Setor de Hematologia e Coagulação do Einstein Hospital Israelita, João Guerra, entrevistado pelo Dr. Roberto Kalil no CNN Sinais Vitais deste sábado (16), afirmou que pacientes com leucemias agudas frequentemente chegam ao pronto-socorro apresentando infecções, sangramentos ou anemia.

A partir desses sintomas, o exame mais utilizado na prática médica, o hemograma, é o ponto de partida para a investigação. “É a partir do simples hemograma que a gente vai identificar alterações que levam a uma suspeita”, disse o hematologista.

Guerra explicou que a razão para isso está no comportamento das células doentes: quando um quadro de leucemia aguda está instalado, a medula óssea libera para o sangue periférico células jovens, chamadas de células blásticas, que não deveriam estar presentes naquele local. Essa presença anormal é detectada no hemograma e sinaliza a necessidade de investigação mais aprofundada.

O papel do mielograma no diagnóstico

Quando há suspeita de uma doença da medula óssea, o próximo passo é a realização do mielograma, um exame que consiste em uma punção óssea feita no osso da bacia ou do esterno. João Guerra ressaltou que, atualmente, trata-se de um procedimento simples.

Por meio dele, é coletado material para análise morfológica das células ao microscópio, além de estudos imunológicos, como a imunofenotipagem por citometria de fluxo, estudo citogenético, que inclui o cariótipo, e análises de biologia molecular. Essas análises permitem identificar os polimorfismos gênicos das células doentes.

“Hoje nós somos capazes de identificar a alteração estrutural no DNA da célula que justifica essa doença”, acrescentou Guerra. Essa precisão diagnóstica é especialmente relevante porque abre caminho para o uso de drogas-alvo.

Para Guerra, o cenário atual representa “uma grande revolução no diagnóstico e no tratamento” de qualquer um dos tipos de câncer do sangue.