Segunda-feira, 19 de outubro de 2026 · São Paulo
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Justiça nega habeas corpus e mantém prisão de marido da prefeita de Bauru

Desembargador manteve a prisão preventiva de Renato Purini, investigado por suspeita de fraude na concessão bilionária do lixo.

Em resumo

  • O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a prisão preventiva de Renato Purini, ex-secretário e marido da prefeita de Bauru.
  • A investigação apura suspeitas de fraude na licitação bilionária de gestão de resíduos sólidos, avaliada em cerca de R$ 5,2 bilhões.
  • Escutas e mensagens apontam que o investigado atuou para coagir parlamentares e obteve pagamentos indevidos por meio de intermediários.

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do ex-secretário municipal de governo de Bauru (SP), Renato Purini, que também é marido da prefeita da cidade, Suéllen Rosim (PSD), preso nesta sexta-feira (16). A decisão, assinada no plantão judiciário deste sábado (17) pelo desembargador Luiz Fernando Vaggione, mantém a prisão preventiva de Purini.

O ex-secretário foi preso em casa, em um condomínio de alto padrão onde mora com Suéllen, em um desdobramento da Operação Cavalo de Troia, do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas ou de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). A ação do grupo especial do Ministério Público investiga suspeita de fraude na licitação bilionária de gestão dos resíduos sólidos na cidade. A prefeita não é alvo da operação nessa fase. Após a prisão, Suéllen exonerou o marido do cargo de secretário.

Segundo a decisão do TJ, Renato Purini é investigado por envolvimento em crimes como organização criminosa, corrupção passiva, corrupção ativa de agentes políticos, falsidade documental e fraude a licitações. Na solicitação de liminar, a defesa de Purini sustenta que a prisão preventiva não tem fundamentação adequada, alegando que não havia demonstração de risco à liberdade e que a aplicação de medidas cautelares alternativas seria suficiente.

No entanto, o relator indeferiu o pedido de soltura provisória. Em sua decisão, o juiz destacou a gravidade dos fatos apurados na Operação Cavalo de Troia. Segundo o desembargador, escutas, registros telefônicos e mensagens obtidos com autorização judicial indicam que o ex-secretário usou o cargo público para interferir em licitações, atuando no monitoramento e na coação de parlamentares municipais com o objetivo de conseguir a aprovação do projeto que favorecia a Estre Ambiental. A decisão apontou também haver indícios de que o ex-secretário solicitou e recebeu vantagens financeiras indevidas.

Segundo as investigações, mensagens interceptadas indicam que Purini teria recebido pagamentos da empresa Estre Ambiental para articular apoio político e influenciar os bastidores da votação do projeto na Câmara Municipal. De acordo com o Ministério Público, os supostos repasses a Purini eram feitos por meio de um intermediário, numa tentativa de ocultar a origem e a finalidade do dinheiro. A Estre transferia valores ao advogado Marcos Libanore Caldeira sob a justificativa de pagamentos por serviços jurídicos. Depois, segundo a investigação, o advogado repassava as quantias ao ex-secretário.

Em dezembro de 2025, durante a votação do projeto de concessão dos serviços de gestão do lixo, ele e a então secretária municipal do Meio Ambiente, Cilene Chabuh Bordezan, teriam discutido estratégias para acelerar a aprovação da proposta na Câmara Municipal, durante uma mesma sessão legislativa. Nas conversas, Purini afirmou que acompanhava de perto a movimentação dos vereadores e disse ter se reunido com nove parlamentares na véspera da votação. Em uma das mensagens, reclamou que precisou segurar dois vereadores no estacionamento da Câmara para pressionar pela aprovação do projeto.

A investigação mira um suposto esquema criminoso relacionado à estruturação e à condução da concessão dos serviços de resíduos sólidos em Bauru, envolvendo contrato estimado em aproximadamente R$ 5,2 bilhões, com duração prevista de 30 anos, além de possíveis ajustes com vereadores. Purini foi levado para a Central de Polícia Judiciária e teve a prisão preventiva confirmada em audiência de custódia, sendo encaminhado para o Centro de Detenção Provisória de Bauru.