O Festival do Rio chega ao último fim de semana com a expectativa de superar o público de 140 mil pessoas que participaram da edição passada. O evento trouxe mais de 350 filmes na programação. Realizada entre 1º e 11 de outubro, a 28ª edição reúne produções brasileiras e internacionais, pré-estreias, sessões especiais, debates e encontros com profissionais do setor audiovisual, em 28 salas e espaços culturais do Rio de Janeiro e de Niterói.
Um dos principais encontros do calendário cinematográfico brasileiro, o Festival do Rio funciona como vitrine para novos realizadores, espaço de circulação de filmes independentes e oportunidade de aproximação entre cineastas e público. A programação também leva exibições a diferentes regiões da cidade, com atividades gratuitas e sessões voltadas à formação de novas plateias.
Cinema nacional
Entre os títulos brasileiros exibidos nesta edição está Justino: Nos Bastidores do Reino, de José Eduardo Belmonte, apresentado na Première Brasil Hors-Concours, seleção de filmes exibidos fora da competição. A produção conquistou dois Kikitos e uma menção honrosa no Festival de Cinema de Gramado. Produzido por Nilson Rodrigues, o longa acompanha a trajetória de Justino, jovem da periferia que encontra na religião a possibilidade de transformar a própria realidade.
Para Nilson Rodrigues, a obra contribui para compreender transformações culturais e religiosas do país. "É um filme necessário, fundamental para entender o processo cultural do país nas últimas décadas e o crescimento do neopentecostalismo. Uma história real, vista por Mário Justino, que viveu e viu por dentro como se formou um dos maiores impérios do neopentecostalismo no Brasil", afirma o produtor.
A formação de plateias, especialmente entre os jovens, é outro desafio apontado pela direção do festival. Durante uma sessão de gala nesta semana, a diretora do Festival do Rio, Ilda Santiago, chamou a atenção para a dificuldade de aproximar o público brasileiro de histórias que dialogam com as experiências e angústias da juventude. "A gente tem poucos filmes que conversam sobre a vida dos nossos jovens e todas as angústias que isso significa. Conquistar o público brasileiro para estes filmes não é fácil. Demanda dedicação, risco e fé", avalia.
Mercado audiovisual
Além das exibições, o RioMarket, área de negócios do festival, promove encontros e debates sobre financiamento, políticas industriais, coproduções e internacionalização do audiovisual brasileiro. "O setor movimentou R$ 81,1 bilhões na economia brasileira em 2025, o equivalente a 0,64% do Produto Interno Bruto (PIB). Os números são de um estudo da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF)", ressalta a diretora do Festival do Rio e do Rio Market, Walkiria Barbosa.




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