O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) atinge entre 2% e 3% da população mundial, segundo estimativas científicas. Na Alemanha, o transtorno afeta mais de 2 milhões de pessoas, conforme dados da Sociedade Alemã de Transtornos Obsessivos-Compulsivos. O quadro é caracterizado por pensamentos intrusivos que são interpretados como ameaças reais, gerando comportamentos compulsivos como forma de tentativa de alívio da ansiedade.
O psicólogo britânico Paul Salkovskis explica que o TOC se baseia em um modelo cognitivo onde um pensamento comum, como esquecer o fogão ligado, é interpretado por quem tem o transtorno como uma catástrofe iminente. Katharina Bey, psicoterapeuta do Hospital Universitário de Bonn, aponta que os rituais compulsivos, embora tragam um alívio momentâneo, reforçam a ideia de perigo e criam um mecanismo que se alimenta de si mesmo.
Entre os sintomas mais angustiantes, estão pensamentos agressivos ou sexuais que são incompatíveis com a personalidade e os valores dos pacientes. Um estudo recente publicado na revista Nature Neuroscience identificou 36 variantes genéticas associadas ao risco de desenvolver o TOC. Segundo Bey, a genética responde por cerca de metade do risco, enquanto a outra metade envolve fatores ambientais, como complicações no nascimento ou experiências de perda de controle na infância.
O tratamento eficaz
A Terapia de Exposição e Prevenção de Resposta (EPR ou ERP) é considerada a abordagem mais eficaz para o TOC. O método consiste em expor o paciente a situações que despertam medos e compulsões, impedindo que ele realize os rituais habituais. O objetivo é que o paciente aprenda a tolerar a ansiedade em vez de neutralizá-la, percebendo que nenhuma catástrofe ocorre ao ignorar os impulsos.
Para pacientes como Jessica Teitz, o tratamento foi complementado pelo uso de inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS). Após anos sem diagnóstico, ela conseguiu retomar sua vida social e hoje atua como instrutora de ioga. “Paradoxalmente, os pensamentos e sentimentos só perdem força quando recebem espaço para existir”, afirma Katharina Bey.
Alex, outra paciente que convive com o transtorno, relata que a terapia permitiu que ela aprendesse a conviver com as obsessões sem reagir automaticamente. Tanto Alex quanto Jessica atuam como voluntárias na Sociedade Alemã de Transtornos Obsessivos-Compulsivos. Elas reforçam que a busca por ajuda especializada é fundamental, alertando que quanto mais tempo o ciclo de sintomas persiste, mais complexo tende a ser o tratamento.



