Segunda-feira, 19 de outubro de 2026 · São Paulo

TOC afeta até 3% da população mundial; conheça a terapia que ajuda a enfrentar o transtorno

Especialistas explicam o transtorno obsessivo-compulsivo e destacam a eficácia da Terapia de Exposição e Prevenção de Resposta no controle dos sintomas.

Em resumo

  • O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) afeta entre 2% e 3% da população mundial, sendo considerado uma condição de base biológica e ambiental.
  • A Terapia de Exposição e Prevenção de Resposta (EPR) é o tratamento mais eficaz, ajudando pacientes a tolerar a ansiedade sem realizar rituais.
  • Estudos identificaram 36 variantes genéticas ligadas ao TOC, embora fatores como experiências de perda de controle também influenciem o quadro.

O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) atinge entre 2% e 3% da população mundial, segundo estimativas científicas. Na Alemanha, o transtorno afeta mais de 2 milhões de pessoas, conforme dados da Sociedade Alemã de Transtornos Obsessivos-Compulsivos. O quadro é caracterizado por pensamentos intrusivos que são interpretados como ameaças reais, gerando comportamentos compulsivos como forma de tentativa de alívio da ansiedade.

O psicólogo britânico Paul Salkovskis explica que o TOC se baseia em um modelo cognitivo onde um pensamento comum, como esquecer o fogão ligado, é interpretado por quem tem o transtorno como uma catástrofe iminente. Katharina Bey, psicoterapeuta do Hospital Universitário de Bonn, aponta que os rituais compulsivos, embora tragam um alívio momentâneo, reforçam a ideia de perigo e criam um mecanismo que se alimenta de si mesmo.

Entre os sintomas mais angustiantes, estão pensamentos agressivos ou sexuais que são incompatíveis com a personalidade e os valores dos pacientes. Um estudo recente publicado na revista Nature Neuroscience identificou 36 variantes genéticas associadas ao risco de desenvolver o TOC. Segundo Bey, a genética responde por cerca de metade do risco, enquanto a outra metade envolve fatores ambientais, como complicações no nascimento ou experiências de perda de controle na infância.

O tratamento eficaz

A Terapia de Exposição e Prevenção de Resposta (EPR ou ERP) é considerada a abordagem mais eficaz para o TOC. O método consiste em expor o paciente a situações que despertam medos e compulsões, impedindo que ele realize os rituais habituais. O objetivo é que o paciente aprenda a tolerar a ansiedade em vez de neutralizá-la, percebendo que nenhuma catástrofe ocorre ao ignorar os impulsos.

Para pacientes como Jessica Teitz, o tratamento foi complementado pelo uso de inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS). Após anos sem diagnóstico, ela conseguiu retomar sua vida social e hoje atua como instrutora de ioga. “Paradoxalmente, os pensamentos e sentimentos só perdem força quando recebem espaço para existir”, afirma Katharina Bey.

Alex, outra paciente que convive com o transtorno, relata que a terapia permitiu que ela aprendesse a conviver com as obsessões sem reagir automaticamente. Tanto Alex quanto Jessica atuam como voluntárias na Sociedade Alemã de Transtornos Obsessivos-Compulsivos. Elas reforçam que a busca por ajuda especializada é fundamental, alertando que quanto mais tempo o ciclo de sintomas persiste, mais complexo tende a ser o tratamento.