Há exatos 29 anos, o lançamento de uma sonda espacial deu início à jornada mais ambiciosa da exploração planetária do século XX. O projeto tinha como objetivo viajar bilhões de quilômetros até Saturno para tentar o primeiro pouso na superfície de uma lua do Sistema Solar exterior. Em 15 de outubro de 1997, a missão Cassini-Huygens decolou do Complexo 40 da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, na Flórida, impulsionada pelo foguete Titan IVB/Centaur. A operação envolveu a NASA, a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Agência Espacial Italiana (ASI), além de mais de 16 países.
“A Huygens foi um feito de engenharia fantástica. O primeiro ponto importante é que ela foi construída pela ESA. E o restante da Cassini foi feito pela NASA. Então, já foi um processo de integração internacional muito grande”, afirmou o astrobiólogo Douglas Galante, professor da Universidade de São Paulo (USP).
Manobras gravitacionais e chegada a Saturno
Para economizar combustível, a espaçonave realizou quatro manobras de assistência gravitacional: passou por Vênus em abril de 1998 e junho de 1999, pela Terra em agosto de 1999 e por Júpiter em dezembro de 2000. Após sete anos, a Cassini-Huygens entrou na órbita de Saturno em 1º de julho de 2004, após uma queima de motores de 96 minutos e a travessia pelos anéis do planeta.
O nome da missão homenageou Christiaan Huygens, descobridor dos anéis de Saturno e da lua Titã em 1655, e Jean-Dominique Cassini, que identificou as luas Jápeto, Reia, Tétis e Dione, além da “Divisão de Cassini” nos anéis.
Pouso histórico em Titã
O clímax ocorreu em 14 de janeiro de 2005, quando o Módulo Huygens desceu na atmosfera de Titã, composta por nitrogênio, metano e etano. Galante destacou a resistência do equipamento: “Quando a Huygens fez a entrada dela na lua, ela se aqueceu muito. O disco, o escudo de ablação, que é a parte frontal da sonda, foi feito para aguentar temperaturas de mais de 18 mil graus. E ela conseguiu sobreviver, conseguiu pousar”.
A sonda realizou perfilamento atmosférico e enviou a foto em superfície mais distante da Terra já tirada. O pouso revelou rios e lagos de metano líquido. Segundo Galante, Titã é um “laboratório de química prebiótica”, assemelhando-se à Terra primitiva e permitindo estudos sobre as reações químicas que antecedem o surgimento da vida.



