Domingo, 8 de novembro de 2026 · São Paulo
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Lula avança na renda, mas maior alta é na classe média baixa

Cruzamento de dados do TSE com o Censo 2022 mostra relação entre renda e voto no segundo turno da eleição presidencial.

Em resumo

  • Lula avançou em todas as faixas de renda no segundo turno, com maior alta na classe média baixa.
  • Nas áreas com renda de R$ 2.590 a R$ 2.920, Lula passou de 44,4% para 51,6% e assumiu a liderança.
  • Flávio Bolsonaro passou a superar Lula apenas nas regiões de renda mais elevada, acima de R$ 2.920.

O cruzamento dos resultados das quase 500 mil seções eleitorais do país, divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com os dados de renda do Censo 2022, do IBGE, mostra uma relação entre renda da seção eleitoral e voto: em geral, quanto menor a renda da região, maior foi a votação de Lula (PT). Ainda assim, o candidato reeleito melhorou seu desempenho em todas as faixas de renda no 2º turno, impulsionado principalmente pelos eleitores de renda intermediária.

Nas áreas onde a renda média mensal variava de R$ 2.590 a R$ 2.920, Flávio Bolsonaro (PL) havia sido o mais votado no primeiro turno. No segundo, porém, Lula avançou e assumiu a liderança, passando de 44,4% para 51,6% dos votos válidos. Nas regiões com renda média de até R$ 1.780 por mês, Lula obteve 74,2% dos votos válidos no segundo turno. Já nas áreas em que a renda variava de R$ 5.190 a R$ 7.130, o percentual caiu para 41,7%. A votação do petista diminui quase continuamente à medida que a renda aumenta.

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É justamente na faixa de renda intermediária que aparece uma das mudanças mais expressivas entre os dois turnos. Ela concentra 9,4% do eleitorado, o equivalente a cerca de 14,7 milhões de pessoas. Nesse grupo, Lula avançou 7,2 pontos percentuais, enquanto Flávio passou de 47,6% para 48,4%. Com esse movimento, Flávio passou a superar Lula apenas nas regiões de renda mais elevada — aquelas em que o petista aparece com menos de 50% dos votos. No primeiro turno, essa fronteira estava nas áreas com renda média a partir de R$ 2.590 por mês. No segundo, subiu para R$ 2.920. Esse ponto de virada, no entanto, varia entre os estados, refletindo as diferenças regionais na relação entre renda e comportamento eleitoral.

Lula venceu a eleição com 51,8% dos votos válidos, o equivalente a 64,3 milhões de votos, contra 59,8 milhões de Flávio Bolsonaro. Lula ganhou votos em todas as faixas de renda entre um turno e outro, de 4,8 a 7,2 pontos dos votos válidos, mas o crescimento não foi uniforme. O avanço foi menor nas áreas mais pobres, onde ele já tinha sete em cada dez votos, e maior na classe média baixa. Nas áreas mais pobres, com renda abaixo de R$ 1.780, Lula passou de 69,4% para 74,2%. Nas mais ricas, acima de R$ 7.130, foi de 37,6% para 44,3%. A partir de R$ 2.590, o ganho ficou acima de 6,5 pontos em todas as faixas.

Flávio quase não cresceu entre os turnos. No primeiro turno, de 4% a 10% dos votos válidos foram para outros candidatos, mais nas áreas ricas do que nas pobres. No segundo turno, esse espaço foi ocupado sobretudo por Lula. Nas áreas mais pobres, Flávio teve uma fatia dos válidos menor no segundo turno do que no primeiro. Na faixa em que a disputa virou, de R$ 2.590 a R$ 2.920, ele subiu 0,8 ponto, contra 7,2 de Lula. Mesmo nas áreas mais ricas, onde os outros candidatos tiveram 10% no primeiro turno, Lula cresceu o dobro de Flávio: 6,7 pontos, contra 3,3.

Em oito dos nove estados nordestinos — Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe —, Lula liderou em todas as faixas de renda no 2º turno. Na Bahia, mesmo as seções em áreas com renda acima de R$ 7.130 deram 60,7% a ele. Em Pernambuco, 57,4%. Alagoas é a exceção: Lula liderou nas áreas com renda de até R$ 7.130 e perdeu só nas mais ricas, onde teve 44,3%. No Sul e no Centro-Oeste, o quadro é outro. Em Goiás, no Paraná e em Santa Catarina, Lula só liderou na faixa mais baixa, até R$ 1.780. Em Santa Catarina, o voto nele despenca de 72,2% nessa faixa para 38% na seguinte. Em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Espírito Santo, a fronteira ficou em R$ 2.110. Mato Grosso tem a queda mais acentuada do país: de 76,8% nas áreas mais pobres para 25,2% nas mais ricas.

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Em três unidades da federação, Lula não liderou em nenhuma faixa de renda: Acre, Rondônia e Distrito Federal. Em Roraima, liderou só nas áreas com renda de até R$ 1.780, com 50,6%. São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais, reproduzem a fronteira nacional: Lula liderou nas áreas com renda de até R$ 2.920 e perdeu a partir daí. A diferença está na inclinação. Em São Paulo, a curva é mais achatada: Lula teve 56,8% nas áreas mais pobres e 43,4% nas mais ricas. Em Minas, a variação é maior, de 67,3% para 43,8%. O Rio de Janeiro, base política de Flávio, é o único estado em que a relação se inverte. Lula perdeu em todas as faixas até R$ 7.130, com votações entre 44% e 47%, e liderou apenas nas áreas mais ricas, com 53,1%. O repique no topo aparece também em outros lugares. No país, o voto em Lula volta a subir de 41,7% para 44,3% nas áreas com renda acima de R$ 7.130. O mesmo desenho em “U” aparece no Distrito Federal, no Rio Grande do Sul e em Rondônia.

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