Quinta-feira, 5 de novembro de 2026 · São Paulo
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O que é e como funcionará o Imposto Seletivo sobre produtos prejudiciais à saúde

Medida provisória enviada ao Congresso define regras para a cobrança do tributo, conhecido como 'imposto do pecado', que começa a valer em 2027.

Em resumo

  • O Imposto Seletivo incidirá sobre itens como bebidas alcoólicas, cigarros, refrigerantes, veículos poluentes e apostas.
  • A previsão de arrecadação para 2027 é de R$ 41,9 bilhões, com a cobrança efetiva começando após o período de noventena.
  • Produtores de bebidas alcoólicas afirmam que o setor já é altamente tributado e temem impactos negativos no mercado e no emprego.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quarta-feira (4) e enviou ao Congresso Nacional a medida provisória (MP) que estabelece as diretrizes para a cobrança do Imposto Seletivo, popularmente chamado de “imposto do pecado”. O tributo, aprovado no contexto da reforma tributária sobre o consumo, tem como finalidade encarecer produtos ou atividades que geram danos à saúde ou ao meio ambiente, visando a redução da demanda.

A lista de itens sujeitos à taxação inclui bebidas alcoólicas, refrigerantes e cigarros. Além desses, o imposto incidirá sobre veículos, variando conforme o nível de poluição, sobre a extração de bens minerais e sobre atividades de loterias, apostas e jogos de fantasy sports. De acordo com o governo, a proposta prevê a manutenção da carga tributária atual para o ano de 2027, caracterizando um período de transição, com a expectativa de aumento na taxação a partir de 2028.

Como vai funcionar o Imposto Seletivo?

A sistemática de cobrança será adaptada a cada produto ou atividade. Para bebidas alcoólicas, a tributação será proporcional ao teor alcoólico, enquanto para veículos, a alíquota dependerá de critérios de emissão de poluentes. A legislação estipula que o imposto incidirá apenas uma vez sobre cada bem ou serviço, evitando a acumulação do tributo nas etapas de fabricação e comercialização até o consumidor final.

Quando começa a valer?

Embora a previsão seja para 2027, a cobrança não terá início imediato no primeiro dia do ano. O tributo está submetido à regra da noventena, que exige um intervalo de 90 dias antes da vigência. O governo estima que a cobrança efetiva ocorra a partir de fevereiro de 2027. Até esse momento, o Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) continuará sendo aplicado para evitar perda de arrecadação.

Qual deverá ser a arrecadação?

A equipe econômica projeta uma arrecadação de R$ 41,9 bilhões com o tributo em 2027, conforme consta na proposta de Orçamento enviada ao Congresso. O governo busca manter a arrecadação estável em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) por meio do Imposto Seletivo e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).

O que dizem estudos sobre produtos afetados?

Estudos citados pelo Ministério da Saúde apontam impactos econômicos significativos: o consumo de álcool gerou R$ 18,8 bilhões em custos em 2019; o tabagismo causa R$ 153,5 bilhões em custos anuais; e o tratamento de doenças associadas a bebidas ultraprocessadas custa quase R$ 3 bilhões por ano ao SUS. Em contrapartida, produtores de bebidas alcoólicas argumentam que o setor já possui alta carga tributária, variando de 40% a mais de 80% do preço, e alertam que novos aumentos podem elevar preços, reduzir margens, causar demissões e estimular o mercado ilegal.

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